Política

Alagoas na rota da venda ilegal de armas

PF e Exército investigam comércio clandestino que envolve policiais e servidores públicos de três estados

Por Ricardo Rodrigues - colaborador / Tribuna Independente 31/01/2026 09h27 - Atualizado em 31/01/2026 10h41
Alagoas na rota da venda ilegal de armas
Operação Fogo Amigo - Foto: Divulgação

O Estado de Alagoas está na rota do comércio ilegal de armas de fogo e munições, no Nordeste. A informação foi divulgada essa semana pela Superintendência da Polícia Federal da Bahia, que comandou uma operação de combate ao tráfico de armas em três estados da região. Além da Bahia, foram cumpridos mandados judiciais em Pernambuco, e Alagoas, na última terça-feira (27/1).

Em Arapiraca, no Agreste alagoano, agentes da PF estiveram em pelo menos uma loja de armas e munições, no centro da cidade. Segundo a assessoria de comunicação da PF em Alagoas, a operação foi centralizada pela Superintendência da Bahia. Por isso, não foram disponibilizadas informações para a mídia local. No entanto, houve movimentação de agentes federais em Marechal Deodoro e em Maceió, no quartel do Exército.

Procurada, para se manifestar sobre o assunto, a assessoria de comunicação da PF em Alagoas disse apenas que a operação foi deflagrada na Bahia. A informação que passaram dava conta de que a recomendação era para tratar a operação, naquele momento, como sigilosa. Além disso, a PF/AL disse que apenas forneceu o material humano de forma emergencial, mas não sabia absolutamente nada sobre os detalhes da investigação.

No entanto, foi divulgado pela imprensa baiana que a ação, deflagrada por policiais federais, teria apreendido mais de 700 armas e mais de 100 mil munições nos estados de Alagoas e Pernambuco.

Segundo a PF, os alvos eram integrantes de uma quadrilha especializada na venda ilegal de armamento. Ao longo da manhã de terça-feira, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, após decisão da Justiça da Bahia.

NOMES

Por trás desse esquema, segundo a PF, estariam servidores públicos e policiais militares. Durante a operação, também teriam sido executados o sequestro de bens e o bloqueio de valores dos investigados até o limite de R$10 milhões, além do afastamento de funções públicas — o que indica a participação de agentes do Estado no esquema. Por isso, a investigação conta também com a colaboração do Exército.

De acordo com informações apuradas pela TV Bahia, os alvos da operação eram: Gabriel Fonseca Torres, da PM de Pernambuco; José Lucas da Silva Santana; Wallas Mota de Andrade, da PM de Sergipe; Tiago Cosmo da Silva, da PM da Bahia; André Filipe Silva Souza, da PM de Pernambuco; Olexsandro Rodrigues da Silva; e Oslean Rodrigues da Silva. Os advogados dos acusados não foram localizados para fazer a defesa dos investigados.

Ainda de acordo com a assessoria de comunicação da Superintendência da PF da Bahia, foram vistoriados endereços residenciais e comerciais dos investigados, nos municípios pernambucanos de Araripina e Petrolina, além de Maceió, Arapiraca e Marechal Deodoro, em Alagoas. A Federal não divulgou os nomes dos investigados para não prejudicar as investigações, que continuam, e novas operações podem ser deflagradas.

Batizada de “Operação Fogo Amigo II”, a ação é uma continuação de uma primeira etapa, deflagrada em maio de 2024. Segundo a PF baiana, os investigados são policiais militares, colecionadores de armas e lojistas, que agiam nos estados da Bahia, Alagoas e Pernambuco. Durante a operação, foram cumpridos 20 mandados de prisão preventiva e 33 mandados de busca e apreensão.